Artigo – Por que viajar para a Índia?

Terras sagradas onde Krishna, Buda e inúmeros yogues caminharam e pregaram.

Quando escolhemos viajar para a Índia, certamente temos uma motivação que vai além do simples desejo de fazer turismo. Uma viagem para a Índia nos leva ao encontro de um território sagrado, onde as lendas e os mitos do passado estão vivos e acontecendo ao nosso redor. A Índia parece, em certo sentido, um lugar em que o tempo caminha numa marcha diferente. Quando chegamos à Índia somos inundados por imagens, odores, sons e sentimentos que caberiam perfeitamente bem há dois ou três mil anos. É como se caminhássemos por entre as páginas de um gigantesco livro de História.

Descobrimos que é impossível estar na Índia e não perceber a profunda espiritualidade que paira na atmosfera, como um perfume delicado que se sente sem saber de onde está vindo. Essa espiritualidade é o fio com o qual foi tecida a cultura e o temperamento de seu povo. A Índia promove o nosso encontro com o divino e o espiritual. Esse encontro com nossa própria essência é o grande prêmio que motiva grande parte dos viajantes que escolhem aquele país como destino.

Quando estamos na Índia frequentemente sentimos a presença do transcendente. Nas cidades sagradas como Rishikesh e Haridwar, cruzamos a todo tempo com swamis, babas e sadhus com suas vestes coloridas e austeras. São seres que renunciaram à vida mundana para de dedicar integralmente à busca espiritual e ao serviço à humanidade. Mesmo os templos mais simples e despojados de qualquer luxo guardam uma atmosfera de mistério e profundidade. No nascer e no pôr-do-sol é comum ouvirmos o cântico de mantras que embevecem a alma e nos conduzem a outras dimensões.

Alguns escritores já comentaram que viajar para a Índia é viajar para dentro de si mesmo. A riqueza das expressões culturais tem o efeito de despertar a riqueza que está oculta dentro de cada um de nós. Romancistas como Hermann Hesse, encontraram essa trilha e fizeram dela uma inspiração para suas obras.

Viajar pela Índia é uma experiência transformadora. Quando estamos diante do magnífico Taj Mahal em Agra, é impossível não ficar embevecido com a beleza das formas dessa obra prima da arquitetura Mogul. Um dos locais mais fascinantes do território indiano é Rishikesh, a capital do Yoga, que fica na beira do Rio Ganges. Ficar hospedado num ashram como, por exemplo, o do Swami Rama Sadhak Grama Ashram e participar de seus rituais é algo inesquecível. As práticas começam às 5 horas da manhã e incluem a recitação de mantras, meditação, aulas de yoga (asanas e exercícios respiratórios) e palestras sobre cultura védica e a tradição do yoga dos himalaias. A estadia é um convite para uma verdadeira viagem interior.

O sul do país é uma região de poetas inspirados, onde a tradição da arte com as palavras remonta há mais de dez mil anos. Ali viveram Sri Aurobindo, Ramana Maharshi e outros tantos santos que a Índia produziu no passado. Um local muito especial é a ecovila Auroville, que fica a poucos quilômetros de Pondicherry, criada nos anos 60 inspirada nos ensinamentos de Sri Aurobindo. Pessoas de muitas nacionalidades buscam viver uma vida plena com base na solidariedade e na sustentabilidade. Não há, por exemplo, circulação de dinheiro, havendo um sistema de troca de serviços e de bens. Existe inclusive uma loja onde as pessoas deixam os objetos que não mais precisam para que outros possam utilizá-los, sem custo. Um outro destaque do Sul encontra-se em Chennai. É a inspiradora sede da Sociedade Teosófica que fica no bairro de Adyar em meio a um magnífico parque. Lá existem lindos jardins e pequenos templos dedicados às grandes religiões da humanidade.

 

Eduardo Weaver

 

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